Alguém reconhecida pela liberdade.
Não é um adjetivo que se defina, só é.
e de fato é subentendido.
Quando entrei no buraco eu disse que voltaria.
É uma fase, só não sabia quando acabaria.
O tempo passava e a escuridão me sufocava
a prisão parecia cada vez mais funda e solitária.
Parecia uma escolha, então soltaram-me as mãos.
Mas só eu sei, para onde ir e por onde andei.
Eu tento e testo,
A liberdade não é algo que simplesmente me esquivo,
não sou eu a mentirosa, foi Sartre que escreveu o livro.
Peguei o impulso assim que meus dedos tocaram o fundo.
Num salto, minhas mãos agarraram o barro da parede.
Encarei o alto,
O sol já não me era íntimo e por isso meus olhos se irritaram.
As lágrimas escorriam ao decorrer do abandono da escuridão;
Era doloroso abandonar a vida no poço.
A pele ardia.
No topo, escondi o rosto;
a luz constrangia,
á mim, mera ex criatura do subsolo.
Quando a pele já mais não precisava do ar úmido,
avistei a sarça ardente,
me lembrei da bondade do sol,
Então tive a certeza:
Estou condenada a ser livre.
(Gleide Victoria)
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