A observei tentando atravessar a rua, não sabia por quanto tempo estava tentando.
Por um tempo ela analisou a passagem, ia, fracassava e voltava - mas acho que só estava calculando o tempo de travessia - por outros momentos ela se arriscava pra testar que se ficasse entre as rodas do ônibus ela não seria esmagada, mas percebeu que isso só funcionava em uma das faixas, porque no restante os outros automóveis passavam sem um padrão confiável. O farol finalmente indicou vermelho, era seu momento: correu desgovernada. Uma moto inesperada passou por ela, no momento me veio uma dorzinha no coração, mas consegui enxergar ela lá de novo correndo pela avenida - ufa - agora já quase perto de seu destino, o farol abriu, as motos vieram primeiro, mas ela não se abalou. Ainda educadamente deu passagem pro carro que vinha em alta velocidade e sumiu na escuridão do bueiro.
Humanos e baratas nunca foram tão diferentes assim.
(Gleide Victoria)
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